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Analistas Relativizam Adventência de Paul Krugman
08/12/2009 - 19:12 Monitor Mercantil
 

Bovespa ainda está longe da bolha

 

Previsão é de Ibovespa, ao redor dos 67 mil pontos, atingir 90 mil pontos ao final de 2010

 

Mesmo diante da valorização de 80%, o mercado brasileiro ainda exibe espaço de valorização, o que deve ocorrer no próximo ano. A previsão é de que o índice, que está ao redor dos 67 mil pontos deve atingir os 85 mil a 90 mil pontos ao final de 2010, caso nenhuma "catástrofe" venha ocorrer na economia mundial, como a desaceleração do crescimento chinês e outros emergentes, ou novos problemas nos Estados Unidos.

 

Segundo especialistas do mercado brasileiro, a bolsa ainda está longe do que pode ser configurado como movimento de bolha. O motivo para a perspectiva ainda positiva para as ações nacionais está relacionado ao próprio desempenho das empresas, que vêm mostrando resultados crescentes e múltiplos ainda atrativos. "A performance das empresas tem melhorado e deve seguir assim nos próximos trimestres, o que justifica os atuais múltiplos", lembra o analista da Spinelli Corretora, Max Bueno.

 

Ele argumenta que diante deste cenário é prematuro falar em bolha do mercado acionário. "O desempenho positivo das empresas provoca o maior apetite dos investidores por ações", destaca. Neste sentido, não há nada no cenário que deva levar a uma forte queda da bolsa. "Apesar da forte alta, ainda estamos abaixo das máximas históricas. Existem oportunidades no mercado", afirma Bueno. O analista da Spinelli prevê um crescimento médio entre 15% e 20% no resultado das companhias abertas no próximo ano.

 

O professor de finanças da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Torres, ressalta que a recuperação do mercado financeiro brasileiro este ano foi espetacular. "Quando o Ibovespa ultrapassou os 62 mil, achei que já estava puxado demais, mas as empresas resistiram à crise, mostraram lucros e pagaram dividendos", diz.

 

No entanto, após o desempenho positivo, o momento é de fechar as contas. Desta forma, a tendência para o mês de dezembro é de que o volume de negócios recue, pois em geral, investidores evitam ampliar a exposição ao mercado. Ao mesmo tempo, o professor lembra que a imposição do IOF para investidores estrangeiros é outro fator que inibe a maior entrada de recursos externos para o Brasil. O menor volume de negócios faz com que o Ibovespa não tenha mais espaço para altas consideráveis até o fechamento do mês. "A perspectiva é de que o mercado acionário fique de lado", afirma Torres.

 

Otimismo

 

 

 

Já para o médio longo prazos, o professor da BBS destaca que o índice tem espaço para retomar o crescimento e atingir os 85 mil pontos. "Esta história de bolha, levantada pelo Paul Krugman, é muito relativa. Há esta mania de tentar acertas em mosca voando e jogar um balde de água fria em países que estão bem. O Brasil está em uma fase muito positiva, com o sistema financeiro sólido e voltando a crescer", destaca Torres.

 

A previsão do especialista é de que a economia brasileira cresça entre 5% e 6% no próximo ano. Este fato por si só já é um fator que leva à perspectiva de novas valorizações do Ibovespa. De acordo com os dados apresentados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira, a tendência é de que a economia brasileira registre um crescimento de 6,2% em 2010, após fechar este ano com uma expansão de 0,4%. A Fiesp argumenta que o incremento do PIB será sustentado pelo consumo doméstico e pela retomada dos investimentos.

 

Para a entidade, a formação bruta de capital fixo, que reúne investimentos voltados à produção, deverá avançar 19,6%. Para a indústria brasileira, a expectativa é de um incremento de 12% na produção de 2010, com o setor voltando aos patamares pré-crise a partir de março.

 

O analista sênior da TOV Corretora, André Mello, também projeta um crescimento para o PIB brasileiro entre 5% e 6%, o que impulsiona o Ibovespa para que o indicador encerre o próximo ano entre 85 mil e 90 mil pontos. Na previsão de Mello, em 2010, a retomada na economia mundial deverá ocorrer de forma global com os países desenvolvidos, apresentando expansão gradual e os emergentes crescendo em ritmo mais acelerado. "Mesmo com o risco de aumento da volatilidade no período de campanha eleitoral, estamos projetando o Ibovespa entre 85.000 e 90.000 pontos e o dólar entre R$ 1,70 a R$ 1,80 ao final de 2010", diz.

 

Para a economia brasileira, Mello afirma que o aumento do crédito bancário doméstico e as condições favoráveis do mercado de trabalho ampliarão o crescimento do consumo das famílias. A demanda doméstica também acelerará em função da expressiva expansão dos investimentos. Já a inflação ao consumidor permanecerá inferior ao centro da meta em 2010 e 2011. "Apesar da aceleração da demanda doméstica, o risco para a inflação continuará favorável", complementa.

 

Neste cenário, a taxa de juros básica (Selic) aumentará moderadamente, em consequência do aumento do risco inflacionário associado a um crescimento da demanda agregada bem acima da sua média histórica. "A inflação moderada não exigirá uma alta muito significativa dos juros em 2010. Após sua significativa elevação, a dívida líquida do setor público/PIB recuará nos próximos anos, mantendo baixos os riscos para a sua trajetória de longo prazo", argumenta.

 

 

 

Riscos externos podem desviar trajetória

 

 

 

Entre os riscos que podem levar o mercado brasileiro a se desviar da trajetória de alta, encontram-se principalmente aqueles relacionados à economia externa. A possibilidade de desaceleração do crescimento da economia chinesa é preocupante, pois provocará a queda do ritmo de valorização das commodities, em que grande parte das companhias brasileiras atuam. Além disso, ainda permanece como dúvida qual será a consequência do calote em Dubai. A Moody"s, em relatório divulgado nesta terça-feira, rebaixou a classificação de empresas, agravando da situação do emirado. Tal fato aumentou a aversão ao risco.

 

Outra dúvida que fica é quanto ao desempenho dos Estados Unidos e em que momento serão retirados os incentivos dados à economia norte-americana. Para analista sênior da TOV Corretora, André Mello, o fim das políticas expansionistas nos países desenvolvidos, em particular nos EUA, ocorrerá apenas depois do início da recuperação das condições do mercado de trabalho ou de uma eventual elevação significativa da inflação. A inflação na maioria das economias permanecerá baixa. Os fluxos financeiros crescerão nos próximos anos.

 

Os espaços entre a euforia e o pânico no mercado financeiro estão cada vez menores. Por este motivo, os investidores devem permanecer cautelosos. "Antes as crises demoravam mais e a recuperação econômica também. Agora a situação é diferente. As crises e as recuperações ocorrem de forma rápida e o mercado vai da euforia ao pânico mais facilmente", explica Torres. Ele afirma que as mudanças bruscas de humor ocorrem porque os investidores encontram-se cada vez mais profissionalizados e informados.

 

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