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Espanha será último país da Europa a deixar crise
Vivian Pereira Brasileconomico.com.br
 

Embora o estrago da crise econômica mundial tenha sido generalizado na Europa, as três maiores economias da zona do euro - Alemanha, França e Itália - e a Grã-Bretanha retomaram o crescimento em 2009, enquanto a economia espanhola não conseguiu se livrar da recessão.

Com base nos indicadores divulgados este ano, especialistas são enfáticos ao afirmar que a Espanha não deve voltar a crescer antes da metade de 2010. E a principal preocupação está relacionada ao mercado de trabalho.

No terceiro trimestre, o nível de desemprego entre os espanhóis superou 17%, o que significa uma das taxas mais elevadas na União Europeia.

Na visão de Nuno Fernandes, professor de Finanças da escola de negócios IMD, na Suíça, a situação da Espanha é "muito difícil". "Em 2010, o país ainda deve retrair. Os problemas sociais que podem surgir em decorrência das altas taxas de desemprego representam uma das prioridades do governo no ano que vem", afirma.

A Espanha foi um dos países a crescer de forma mais rápida até 2008 e chegou a ocupar a posição de "vedete" da Europa. "Muito desse crescimento foi baseado no setor imobiliário e na mão-de-obra externa. Com o colapso do mercado imobiliário, os problemas surgiram", acrescenta Fernandes.

Um dos principais fatores que deixou a economia espanhola para trás foi, de fato, a crise imobiliária, conforme o professor de Finanças da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Torres.

"O setor imobiliário foi o que mais sofreu quando os europeus que possuíam a maioria das casas de veraneio na Espanha venderam suas propriedades em função da crise, o que levou à forte queda nos preços dos imóveis", diz Torres.

O governo espanhol, por sua vez, admite que o modelo de crescimento do país foi excessivamente dependente do setor de construção civil.

Para Pedro Vartanian, professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, a crise imobiliária e a alta taxa de desemprego completaram um cenário que já era bastante crítico no país europeu, cuja deficiência da economia foi agravada pelo seu alto endividamento.

A dívida pública espanhola pode atingir 67% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, enquanto a dívida do setor privado terminará 2009 em 177% do PIB.

"O comportamento dessa dívida vai gerar expectativas em todo o continente em 2010", assinala Vartanian. Para ele, o desemprego deve se estabilizar, acompanhando o restante da Europa e os EUA.

"Mas, enquanto a Europa deve se recuperar já no primeiro semestre, a Espanha só deve voltar a crescer no segundo [semestre]", completa.

Classificação de risco

No início de dezembro, a agência de classificação de risco Standard & Poors rebaixou a perspectiva da Espanha de "estável" para "negativa", mantendo sua nota "AA+" para a dívida a longo prazo do país.

Em janeiro de 2009, a S&P já havia retirado da Espanha a qualificação máxima de "AAA" para sua dívida de longo prazo, devido às más condições econômicas e financeiras.

A forte influência exercida pelas agências de rating é avaliada com cautela pelo professor Nuno Fernandes, do IMD, para quem as "estimativas dessas agências devem fazer sentido".

"As perspectivas não podem se basear apenas em relatórios contendo informações do passado. As agências de rating definitivamente terão que trabalhar melhor ao analisar riscos", ressalta, acrescentando que houve uma "lacuna" no período pré-crise, contribuindo para aumentar o pânico e as reações exageradas do mercado.

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